Educação contemporânea: vencendo os limites do ensino tradicional

By 31 de outubro de 2018Destaque

A humanidade é cercada de desafios. A convivência, o crescimento, o desenvolvimento, a possibilidade de igualdade e condição de vida — tanto no aspecto econômico quanto social. Todos esses fatores instigam as pessoas a aumentarem suas capacidades e encontrarem alternativas para a harmonia.

A educação contemporânea é um desses desafios. Há anos acostumados a enxergarmos o processo de aprendizagem onde o estudante é um agente passivo, a sociedade moderna exige um repensar na estruturação tradicional, propondo novos mecanismos para fortalecer o elo entre professores, familiares e estudantes.

Disseminar a cultura da educação, visando instigar e estimular o gosto de aprender e transformar a maneira como a sociedade enxerga o processo educacional é um trabalho árduo, porém possível. A educação contemporânea leva em consideração os aspectos sociais, a fim de superar os desafios e aprimorar o aprendizado.

É possível fugir de uma visão exclusivamente conteudista e modelada para ser rígida. A educação contemporânea tem gerado pilares e perspectivas que superam o tradicionalismo para beneficiar toda a plenitude do ensino. Ficou interessado em conhecer mais sobre este tipo de educação? Continue a leitura!

O que é educação contemporânea e qual a sua importância?

Para conseguir entender a importância da educação contemporânea é preciso reflexão. O modelo educacional não pode ser resumido a um conjunto de pessoas dentro de algumas paredes, pois esse cenário destitui o pensamento crítico, gerando escolas com padrões de comportamento semelhantes às linhas de montagens de uma indústria.

O processo tradicional enxerga o desenvolvimento da aprendizagem de modo segmentado. As disciplinas são segregadas, como se fosse possível construir o conhecimento a partir de fragmentos de português, matemática, história, geografia, química, física etc.

Nesse contexto, perde-se a capacidade multidisciplinar. O estudante, portanto, não consegue desenvolver o interlaçamento dos conhecimentos, sem associar as aplicações aprendidas, a fim de evoluí-las. Temos, portanto, uma educação seriada, segmentando ao máximo a linha do saber.

A educação e a cidadania acabam sofrendo com essa visão segmentada. As estruturas física e curricular acabam limitando o desenvolvimento dos estudantes, ao diminuir o interesse e não instigar o gosto pelo aprender. Perde-se a noção de conjunto, participação e relacionamento.

Todo esse processo, porém, é um reflexo do nosso desenvolvimento histórico. Nas décadas de 1970 e 1980, não se notava um questionamento profundo sobre a qualidade ou os caminhos que a educação estava tomando. Apenas a partir dos anos 1990, começou-se uma reflexão sobre o aprender a conhecer dos estudantes.

Portanto, é possível dizermos que a educação hoje está em cheque. Para sanar essa complexidade, será necessário não apenas um especialista, mas sim um conjunto de pessoas e vários saberes. Deve-se apostar em um perfil mais questionador, refletindo sobre o que está sendo feito, projetando o que poderá ser realizado.

A educação contemporânea, portanto, é um enfrentamento. Sua missão é encarar esses desafios da sociedade, conversando, descobrindo, desafiando e não dando respostas prontas sem nenhum tipo de questionamento.

Ela propõe a compreensão do sistema educacional como um todo. Avaliando os processos adotados dentro da instituição de ensino e oferecendo uma nova roupagem de habilidades e competências para os estudantes.

A intenção é possibilitar aos alunos um desenvolvimento orgânico e abrangente, deixando de limitá-los a segmentos ou fragmentos. Além disso, ela engloba todos os atores sociais — escolas, familiares e professores — no mesmo processo.

Com o passar dos anos, em muitas instituições de ensino, os pais depositaram a responsabilidade da educação exclusivamente às escolas. Dessa forma, eles passaram a enxergar os professores como responsáveis pelas dificuldades de seus filhos, pouco cooperando para o processo educacional.

A educação contemporânea propõe que o cotidiano escolar seja vivenciado não apenas por professores e estudantes, mas também pelos familiares. A partir daí, a educação é enxergada como um processo cooperativo e de constante construção.

Afinal, é possível aprendermos nos diferentes cenários nos quais convivemos: na rua, nas escolas, nos museus, em casa etc. A educação não acontece exclusivamente dentro das quatro paredes da instituição de ensino: ela é um processo abrangente e precisa ser enxergado desse modo.

Quais as características e os pilares da educação contemporânea?

A escola fragmentada é também isolada. Dessa forma, fica difícil trazer para o ambiente escolar a interação com o mundo. Os estudantes perdem, nesse contexto, a capacidade de se enxergarem como membros de um sistema humano maior, ficando em uma compreensão apenas de si.

Atualmente, muitos estudantes percebem a ida à escola como uma penalidade. Perde-se o prazer em conhecer novas questões, pois há pouca reflexão sobre o que é ensinado. O modelo tradicional é focado não na produção, mas sim no acúmulo do conhecimento. O padrão conteudista do processo de aprendizagem promove a repetição, não o rompimento.

Sem a interação entre a escola e a cidade, valores como a cidadania e a ética ficam abstratos. Para conseguir superar esses desafios e conseguir proporcionar uma aprendizagem empática e abrangente, a educação contemporânea propõe alguns pilares.

Coragem

Começamos com o enfrentamento do dia a dia. O mundo contemporâneo exige muita coragem. Você tem que se lançar para um trabalho sem ter a certeza que está preparado integralmente. É preciso encará-lo e acertar no percurso, tendo tenacidade para errar e não poder ficar cabisbaixo com qualquer deslize.

Esse é um grande pilar da vida contemporânea. Enfrentar o desafio, arriscar, ter iniciativa e atitude. Durante muito tempo, as pessoas foram passivas e, agora, queremos desenvolver crianças mais ativas.

A escola, por muito tempo, promoveu essa omissividade. É preciso alterar a perspectiva, tornando os estudantes mais ativos para superar desafios e desenvolver seus interesses.

Testes

Nada é absoluto, tirando grandes princípios, claro. Logo, no dia a dia, as coisas não são definitivas. Não existe lugar certo, roupa certa, linguagem certa. Tudo cabe em uma experiência.

Temos um espaço onde existe mais criatividade e menos coisas prontas. O que também não é simples para a educação. É mais fácil saber o que fazer, chegar na sala de aula com tudo pronto, com uma receita do ano todo, que considera aquilo que precisa ser passado para os alunos.

A educação contemporânea exige dedicação e uma quebra desse paradigma. Ela pode ser construída no cotidiano e na prática. Por isso, os professores precisam estar dispostos a saírem do cronograma estipulado para entender a necessidade momentânea dos alunos.

É preciso estar preparado para receber as dúvidas e os questionamentos dos estudantes, a fim de proporcionar o debate. Mesmo que essa discussão saia do plano inicial da aula.

Tecnologia

O eixo tecnológico é muito importante. Ele faz parte do mundo atual, as pessoas estão consumindo tecnologia, e entender tudo o que está acontecendo — inclusive no cenário profissional — é extremamente necessário. Então, a escola também precisa estar atenta para esse viés.

O aspecto central não são os recursos em si. A aplicação deles na educação é estratégica, a fim de que os educadores consigam aprender a utilizar dispositivos e ferramentas, pois, além de influenciar, a tecnologia provoca mudanças.

O mais importante no uso tecnológico é conseguir estar com várias pessoas ao mesmo tempo, incluindo aquelas que o professor não conversaria se não houvesse essa conexão. Além disso, é possível bolar planos e formas de educar voltadas não apenas para uma pessoa, mas para milhares.

Esse é o poder de escalar o conhecimento e alcançar o máximo de pessoas possível. Rompe-se a estrutura física da instituição escolar, não deixando mais a instituição de ensino como um agente isolado do meio.

Como essa educação ajuda no desenvolvimento dos estudantes?

O modelo tradicional está acostumado a manter um processo de repetição. As disciplinas são formatadas em cronogramas que visam fazer os estudantes memorizarem os conteúdos, sem necessariamente compreendê-los.

A educação contemporânea propõe uma alteração nesse cenário. O professor oferece uma realidade dentro da sala de aula, sem projetar no aluno que o aprendizado só servirá para daqui 20 anos. A ideia, portanto, é que os estudantes já resolvam algum problema dentro da sala, trazendo ideias e soluções.

A proposta, portanto, é fazer com que os estudantes ponham a mão na massa, colocando o conhecimento em prática e, acima de tudo, desenvolvendo a sua voz. Nesse contexto, não há mais agente passivo e o que é dito pelos alunos também é relevante. Se eles pararem para pensar, terão críticas a fazer e também alternativas para sugerir.

Esse resultado é possível quando há o conjunto dos pilares descritos em um mundo que é ágil, cheio de desafios e que luta com quantidade e qualidade.

A escola tem essas questões de concepção e prática. Ela trabalha conceitualmente, mas também precisa trabalhar o agir. Fazendo isso, ela ajuda os alunos a se desenvolver e a ter experiências positivas. Essa diversificação ajuda em tudo. Em dar mais autoconfiança, em perceber que eles estão participando do mundo.

Qual é o papel dos atores sociais na educação contemporânea?

Geralmente, os pais são altamente participativos no momento da educação infantil. Envolvem-se nas atividades, atuam ao lado dos educadores, perguntam sobre o cotidiano escolar e buscam formas de participar. Entretanto, com o avançar da criança nas etapas de conhecimento, a participação tende a diminuir.

No Ensino Fundamental, os familiares começam a enxergar a escola como a responsável por toda a educação da criança. É a instituição escolar, inclusive, que deve abordar temas delicados, como as drogas e os seus efeitos, a partir de uma perspectiva de saúde. Essa percepção familiar prejudica o aprofundamento do ensino.

A educação não é um processo isolado, que acontece exclusivamente nas dependências da escola. As ruas da cidade, a convivência com os amigos e a rotina do lar também são espaços que geram oportunidades para novas descobertas.

A educação contemporânea compreende que todos os agentes sociais têm papéis a serem desempenhados. É a conexão entre professores, familiares e estudantes — a qual chamamos de tripé da educação — que poderá gerar um processo de ensino de qualidade e diferenciado.

O objetivo é que haja sempre equilíbrio nesse tripé, mantendo uma relação saudável e constante na comunidade escolar. Para tanto, é possível utilizar-se de recursos da tecnologia, por exemplo.

Papel das escolas

As escolas precisam proporcionar um espaço de máxima interação entre os desafios enfrentados pelo mundo real e as soluções propostas pelo conhecimento adquirido. Nesse sentido, é fundamental estar por dentro dos recursos tecnológicos e ofertá-los para professores e alunos.

Além disso, é preciso pensar fora da caixa e oferecer ambientes que fujam da organização tradicional, onde o professor é o único foco de conhecimento dentro da sala de aula. Para isso, é possível criar salas alternativas, com carteiras distribuídas em formato de roda, hortas e jardins colaborativos, nos quais os alunos poderão plantar e envolver-se com os cultivos etc.

Além disso, a instituição precisa promover a interação entre familiares, professores e alunos. Realizar eventos que contem com a participação de todos e utilizar recursos tecnológicos para fazer o monitoramento e o acompanhamento dos trabalhos desenvolvidos em sala de aula são boas alternativas de trabalhar esse ponto.

Por fim, em seu cronograma, a escola precisa incluir conteúdos que vão além das propostas convencionais. A educação financeira, por exemplo, pode ser aplicada no dia a dia dos estudantes e prepará-los para um olhar atencioso no futuro.

Papel dos pais

Os estudantes conseguem ter melhor desempenho quando são acompanhados pelos familiares. Esse envolvimento faz com que os estudantes sintam-se valorizados, desenvolvendo a sua autoestima. Vale ressaltar que o convívio com os familiares é a primeira fonte de conhecimento e experiências da criança.

Para participar, a família pode acompanhar o desenvolvimento educacional dos filhos. Envolver-se nos exercícios propostos para a sala de aula e debater sobre os novos conhecimentos discutidos na escola é muito importante.

Nesse contexto, os pais vivem um dilema parecido ao do professor. Ambos estão em um mundo do qual não têm domínio pleno — com as novas tecnologias e recursos. Portanto, é comum sentir insegurança, ficando dividido entre o que é, verdadeiramente, melhor para a criança.

Alguns têm a ideia de que o saber tradicional é a melhor escolha, porque isso vai levar o estudante para uma universidade renomada, um bom emprego, uma vida tranquila etc. Outros acham que é melhor o jovem ser feliz e conseguir fazer tudo aquilo que os pais não tiveram oportunidade.

Para envolver os familiares, mesmo com sua perspectiva de mudança, a educação contemporânea propõe um trabalho parecido ao realizado pelos professores que preferem o método tradicional. Trazer os pais para as atividades escolares, fazendo coisas em parceria com os filhos. Essa conversa, com honestidade, respeito e cuidado poderá fomentar o crescimento de ambos.

É também por meio da interação com as famílias que a escola interage com a sociedade brasileira. Isso é fundamental para compreender a diversidade cultural do nosso espaço.

Papel dos professores

Cabe aos educadores a reflexão sobre o que é aplicado no cotidiano. É preciso se questionar se os alunos estão conseguindo assimilar o conhecimento transmitindo, ou se é preciso criar formas para envolver os alunos no processo de aprendizagem.

Com o dinamismo do mundo atual, a capacidade de concentração dos estudantes é diferente da das antigas gerações. Competir a atenção dos alunos com smartphones, computadores e jogos eletrônicos é uma tarefa difícil para os educadores.

Por isso, uma estratégia é englobar esses recursos no processo de aprendizagem. Trazer elementos gráficos e audiovisuais pode ser um artifício interessante na motivação e no envolvimento de todos na sala de aula.

Quais os desafios relacionados à educação contemporânea?

O principal desafio da educação contemporânea para educadores e alunos é conseguir alcançar o sentimento de que eles estão participando do mundo, deixando um legado. Superar o isolamento escolar, a fim de envolver a realidade com as habilidades e aptidões desenvolvidas dentro de sala de aula.

A intenção é desenvolver os estudantes para além de resultados, como entrar em uma faculdade, conseguir um emprego, trabalhar e ganhar um salário. O desafio da educação contemporânea é a vontade de querer criar alguma coisa que deixe uma espécie de herança para a sociedade.

Quando a gente fala de desafio operacional, de dia a dia, temos a organização da escola dentro de uma concepção moderna, de trabalhar com projetos que integrem e envolvam mais os alunos, com tecnologia e métodos que façam com que eles tenham prazer de estudar e aprender.

A educação tradicional segue uma concepção individualista. A preocupação é desenvolver os seres humanos como pessoas individualmente, por meio da repetição e memorização dos conteúdos. Assim, é possível alcançar bons resultados em avaliações e vestibulares — que também fortalece a ideia de competição.

A educação contemporânea vai do individual para o coletivo. Dessa forma, é possível desenvolver habilidades como a empatia, o respeito, a autonomia, a autoestima e a compreensão de diversos valores sociais.

Existem outras duas ideias que estão muito presentes e fazem parte do contemporâneo, superando o tradicional: você não poder deixar de lado a discussão e a reflexão do espaço privado e público.

O conhecimento é infinito, mas a educação tradicional nos ensina a trabalhar com recorte. Para que o aluno consiga ter uma perspectiva da sua vida acadêmica, ele precisa estudar durante “x” anos. Essa teia de saberes não acaba, mas o aluno — após concluir uma etapa de conhecimento — cessa o seu aprendizado.

Outro desafio para a educação contemporânea está em tornar a escola interessante para os estudantes. Para isso, é preciso desenvolver estratégias diferenciadas, capazes de auxiliar no desenvolvimento dos alunos e englobar todas as habilidades e aptidões a serem trabalhadas.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê que essas estratégias inovadoras devem incluir instrumentos tecnológicos, para, assim, conseguir motivar os alunos e mantê-los empolgados com cada uma das etapas do aprendizado.

A educação contemporânea no Brasil: um ato político social ou político econômico?

A educação contemporânea precisa proporcionar aos estudantes o desenvolvimento de suas competências não apenas para entenderem a realidade em que estão vivendo, mas também para intervirem nesses cenários. Essas competências socioemocionais são fundamentais para florescer toda a complexidade do ser humano.

Atualmente, discute-se a importância de construir uma escola com ambiente de respeito entre toda a comunidade. Antes mesmo de pensarmos no processo educacional, é preciso valorizar o convívio entre todas as pessoas da comunidade escolar.

A educação contemporânea busca a coragem para debater os assuntos que precisam ser discutidos. Pensar não é trazer respostas, mas sim levantar questionamentos entre crianças e adolescentes. Desse modo, é possível promover uma mudança social verdadeira. Os estudantes param de se enxergar como seres individualizados na sociedade, mas, sim, como partes dela.

Formar bons funcionários para o mercado de trabalho não pode ser a preocupação central da escola. Ela deve pensar e refletir sobre a importância do raciocínio e da habilidade de criar alternativas para a superação dos desafios propostos pela vida real.

O conteúdo aplicado em sala de aula hoje pode estar defasado daqui a dez anos. E se estiver, todos que passaram por essa educação ficarão atrasado em termos de capacidades perante os novos dilemas que surgirem. Por isso, é essencial oferecer questões — não respostas — que permitam as pessoas evoluírem em suas habilidades.

A compreensão social é uma perspectiva fundamental para o futuro das pessoas. Quando uma criança compreende-se pertencente a um grupo social, ela começa a enxergar soluções para superar as barreiras que podem impedir o seu próprio desenvolvimento e o de outras pessoas.

Quais as perspectivas da escola contemporânea?

Existem ciclos mais difíceis e há períodos melhores. Pensando no Brasil, especificamente, a expectativa é positiva. O ano de 2019 tende a ser melhor, menos instável politicamente, podendo já projetar também um país mais economicamente equilibrado. E isso afeta a vida das pessoas.

A educação, nesse movimento, também recebe essa ideia de maior organização. As perspectivas são de transformação em um ambiente mais propício. Outro panorama emergente é o de tecnologias mais baratas e acessíveis. Essa tendência pode nos trazer escolas mais bem preparadas e aparelhadas para os desafios propostos pela modernidade.

A educação contemporânea enfrenta uma série de confrontos para conseguir superar os preceitos tradicionais e apresentar uma nova compreensão para a aprendizagem. Essa discussão é necessária para conseguirmos gerar reflexão e adaptar os Projetos Político-pedagógicos para realidades que atendam às novas demandas sociais.

A Certus é uma instituição que trabalha para ser asa, não gaiola. Temos a missão de desenvolver as capacidades de todos os alunos. Entre em contato para conhecer a proposta do nosso colégio!

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